dezembro 22, 2006

final.grego

e.natal.e.tal

De recobro. E porque as baterias também se gastam, assim como a paciência.
As coisas que fazia deixei de lhes dar toda a prioridade do mundo, porque me quero menos séria, e menos pensante também. Voei assim nestes últimos tempos, em que se atropelaram tarefas, obrigações e responsabilidades, intercaladas com instantes de uma loucura confortável, daquela que na medida certa faz toda a diferença.
Não me vou queixar de nada, porque quero ver se recupero os níveis saudáveis da santa paciência para todo o povinho circunstancial e mesquinho que me rodeia.
E porque no natal e final do ano não devemos ser arrogantes e queixosos.
Devemos ser gregos por cinco dias.
Assim termina o meu frenético ano de 2006, que respondeu a todos os meus não pedidos de 2005.

outubro 09, 2006

not.ordinary.at.all

Reequilíbrios de entregas, são momentos trapezistas, quase esquecidos, em que a confiança se escapa no final de uma queda longa. Quando começam os remates de histórias esfiapadas, qual enxorrada de desculpas e feitiços persistentes. Pergunto-me porque toco assim quando me aproximo com coragem. Sem dúvida que o faço.
De ordinário tem muito pouco este meu padrão de investimento.
Aceito agora esta diferença de percepção, de sentidos absorvidos numa tensão que me faz sentir viva, aberta e pronta. Natureza mágica de ser, que me foi dada, que já veio no pacote do ser, de amar, de mim. Lá dentro.
Tanto tempo, já duvidava, instabilidade de me conceber errada, quando gritava para me ouvirem e parecia ridícula a insistência de querer tudo, tanto, sem engasgar.
Ausentes o medo, a insegurança, as necessidades de dependência infantil do ego, dos apreços fúteis e da sexualidade que se gasta, que nos gasta.
Só a graça de poder ser luz para quem me elege enquanto influência.
Aguardo os próximos reencontros com os passados sentidos. Espero por ti e por ti.
E estou atenta à magia dos olhos de quem se quis muito. E soube desse querer.
Sem retribuir, ficou com o fascínio de me olhar, diferente, fascinadamente, provando que igualmente O sentiram e muito.
Extravasava. Não cabia. Arrancava do cool do sexy do fit e do muito mas muito comum.

outubro 08, 2006


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setembro 07, 2006

lisboa.aquele.lugar

Há aquele lugar que não tem memórias, mas é aquele lugar em Lisboa, onde me sinto diferente. Onde não há anseios, nem urgência de esquecer toques e sonhos. E aquele lugar é só meu, de noite e dia, e ainda que por vezes partilhado, por ser incompreendido para os outros, ele torna-se o meu lugar, onde o tempo e o espaço se misturam. E lembro-me de mim, e futuro-me. E Lisboa exponencia-se nesse lugar, onde há cheiros, e cores, e ruídos e silêncios, e história e ficção. Morte e vida.
Não é lugar onde se viva, nem onde se ame, nem onde se coma ou se dance.
É só aquele lugar que quase todos atropelam, e não se paga, não dá estatuto, não é pretendido por filas aguardantes de estímulo.
Magia de uma Lisboa discreta, onde se sente tudo, mas não amarga. Onde nos damos conta do milagre de haver amanhã. E da supremacia de nos comunicar-mos com tudo, e de Lisboa se expôr linda.
É delicioso regressar. Aquele lugar. Que só existe aqui. Lisboa.

agosto 13, 2006

me.gusta.helsinquia

Estou longe. Fora da mesma perspectiva, a contemplar a calma que me falta por vezes. Helsinquia invade-me a pouco e pouco, com a sua nordicidade e os seus graus de alcool em exagero, quando a noite chega.
Recomeco um novo mapa mental, em que inscrevo novos percursos que a cada dia passam a fazer parte da minha historia. Por ali passei, leve. E é assim que me sinto, como se reavaliasse o esforco, a falta de tudo nesse tempo que me fugiu, e quase me atropelou as vontades.
Insucessos que se mastigam como uma vodka amarga, escura e cara, muito cara.
Novos rostos, novos percursos de vida que passo a conhecer entre sorrisos, entre culturas que se sentem. E nao me concebem portuguesa, nao encaixo no estereotipo. Tambem nunca me confortei em nenhum, nunca quis ser o que se espera. E continuo a nao querer.

julho 31, 2006


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julho 25, 2006

becoming.feminine.

No outro dia, sentei-me no paredão. Onde tantas vezes com tranças sonhei ser mulher, crescimento que só queria que acontecesse, a todo o custo, a todo o gás.
Muita coisa não esperava, mas olhando para trás tanta coisa que conheci, tantas malas exploratórias que fiz, pessoas que olhei por dentro, aviões que me levantaram. Buscas incessantes de estímulos, de crescimento, de relativizações.
Ilusões, desilusões, emoções, sentimentos. Amadurecimento.
E concluí que me tornei na mulher que sonhei naquela altura, com alguns remendos perspectivados, mas materializei os atributos que ambicionei.

dazzling.cupid.remake

Agora sei que nada é por acaso.
Acaso serei eu ilusionista de sentidos escondidos em lençóis que não se usaram, nem transpiraram emoções sublimadas. Lembro-me do que senti, tal como um balão que se esvazia de sonhos, expectativas comestíveis, chiando de tristeza e frustração.
E vejo-te agora a declamar-me passados sentidos, e rebuscando ordens implícitas a um reencontro, que deixou de fazer sentido, pelo menos o explosivo que teria sido.
Depois do verão, tecíamo-nos numa história só nossa. Enroscávamo-nos em beijos toscos e perdidos.
Mas adiou-se a história, e a aventura dos sentidos, de te ter em mim, de te espreitar o centro do peito. Rebuscar o sentido da tua alma se ter compatibilizado com a minha, num momento único. Em que pela primeira vez a intimidade me fez fugir.

julho 14, 2006

he.believes.in.beauty

Não queria ficar sem espreitar-te, sem iludir-me com um mito antigo.

Que temos, que alimentamos.

Inacabados estamos, mal aproveitadíssimos!

julho 05, 2006

don't-blame.something.else

Coerência desmedida, nesta fase. Numa recta final de esforço, e a alegria luminosa de sorrisos quentes. Agendado o prazer, a música dos sentidos, comprometimento comigo permanece. Com a minha felicidade.
E até acidentes não incomodam, porque as ferramentas, conhecimento, amor e optimismo, abundam agora. Continuo a querer muito. Quererei sempre, parece-me. Esperando, com mãos nos bolsos e pastilha elástica mascada, que a ansiedade parasita deste querer-profundo-tudo diminua, confortando-me com pequenas vitórias.
Como energia que se espalha majestosamente, de dentro vem este bem-estar e bem-querer tudo e todos. E nada antigo já magoa. Purifico-me de novas compreensões, e numa aceitação de desventuras proveitosas que a vida implica.

junho 16, 2006

put.your.records.on

Acorda-se com optimismo, de uma grandeza de espírito que vislumbra uma vida com novas prioridades. Quero sentir-me a mim, numa fase egoísta, em que não dou de mim a ninguém que não seja já parte do meu círculo, de empatia e de confiança.
Os livros estão marcados, a música bem escolhida. O carro pronto.
E quando o trabalho nos qualifica ainda mais, e a finlândia se aproxima com todos os seus desafios. O vôo marcado, e mais um agosto que me enriquecerá.
Desmedidamente rica. Egoísmo que me facilita por agora todo o crescimento.
E a minha casa que se aproxima.

junho 12, 2006

dive.into.me.feelings

Sustem a respiração se a emoção te afundar, mas quando te aperceberes que algo está escuro, lá dentro, um ferimento ligeiro mas rotundo, não fujas disso. Fica lá, a apalpar as coisas que te cheiram mal, que te reenviam uma imagem de pouco merecimento de atenção e cuidado da parte do outro. Quando te reduzem, engraça com tamanha estupidez. Se o teu valor é teu, porque adquirido e desenvolvido. Medos que se ultrapassaram, afirmação de toda a pessoa, mulher que és. Pausa, recontrução da tua pureza, da tua lealdade para com o amor. Mesmo que breve. Total, a entrega.
Como se nada tivesse acontecido para o ofensor, qualquer estridente queixume aprofundaria o corte. E eu não quero sangrar mais, nem suspirar por algo que não deixaram acontecer. Sem coragem de correr riscos, de estatelar o exposto na mesa onde se preparam refeições.
Medo de vasculharem inseguranças, embalagens ocas de metroman, e poucas fortalezas de carácter.
Determinação. Garra. Força de intelecto. E muito humor.
Procura-se, sem pressas, num Homem.

maio 28, 2006


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hot.enchantement

Queria tanto. As minhas mãos atropelam-se quando ainda quero. Não sei bem o quê. Quem. Perda ou invenção temporária de que a intimidade religiosa ficou num lugar qualquer bem terno, bem quente. E o calor é antítese de outro contexto, em que os corpos ainda se uniam, como chamas fluorescentes, de um laranja partilhado. Sem complicações, de liberdades estúpidas e vaidosas.
Este calor pode humedecer barrigas, pode até adormecer energias, promovendo a preguiça de sol e mar, de sonhos novos de outros olhares, profundos e doces. Mas não faz esquecer, nem permite evitar o que se viveu, rotulado ou não, rebuscado numa história que se quer parva. Insistência tola, paixões que se abandonam precisamente por serem, de facto, paixões.

maio 23, 2006

not.sexy.but.so.myself

Sexy attitude ausente, latinicidade que não descobriram em mim no último espaço intercultural. Espontaneidade em que envolvo os dois sexos numa comunicação idêntica, numa pornografia de almas, mas não de enganos espumosos e repentinos. De facto, não tenho trejeitos de cabelo, olhares medidos, nem roupas que exarcebem curvas, que no meu caso particular e íntimo, se mostram à luz do candeeiro, que se mistura com uma lua cheia, sem artifícios, e sem complexos. Não combino todas as cores e artefactos, com medo que me descubram defeitos. Não chamo a tua atenção porque sou a mais bela, porque não sou. Mas sou tão eu. Não é lindo ser-se próprio?!
A moda passa por mim, e eu só deixo entrar aquilo com que me identifico. Uma simplicidade arrogante, de quem quer olhar para dentro, e que assusta. Mas derreto as máscaras, todos os bloqueios sísmicos e tão perturbadores.
Sorriso meu, que desata os nós, mas não tem gloss, nem botox. Assumo a minha pouca sensualidade consensual, porque se olharem bem... ela já cá está, e expressa-se em cada um de forma pessoal e instransmissível.


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maio 19, 2006

calor.sentido

E agora, que o tempo quente escorre pela tua face. Que os beijos que se esperam já se avizinham. Quando sabes que tudo faz sentido, e que o teu percurso foi detalhadamente demarcado por um sábio, ou sábia tontura. Em que te sentes abraçada pela harmonia das pessoas de quem gostas, mesmo sem grande aprofundamento de razões, esquemas ou interesses.
A noite que te convida a estar entre conversas musicais, bebidas doces, corpos expressivos, como a vida que se atropela, quando a tua energia estoira. Aculturas-te de tudo, nunca te limitando a uma ou outra actividade. Quero manter esta abertura, esta vondade de experimentar todas as dimensões sem me perder, ou viciar em nenhuma em particular.
Tudo compõe. Tudo excita e estimula uma mente curiosa e sequiosa de tudo, de ti, de mim. Da experiência de ser. De estar com.
Por favor, faz o favor de esqueceres o ter, parecer, o dever ser ou o poder.

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maio 17, 2006

saké&back

Back. Austria devolveu-me o optimismo. Quanto à calma, do lago e da montanha, é sempre mais difícil se verificar comigo o mesmo contágio. Mas o optimismo, está-me no sangue. Assim como a aventura, o internacionalismo da minha cidadania e a participação activa no delineamento do meu percurso.
Acho que o não formalismo das aprendizagens que fiz, a experiência vivencial daquilo que os livros me contavam ao ouvido, alargaram a minha mente com novas perspectivas, e sonhos frescos. Como a brisa primaveril que já está a fugir, dando lugar ao calor dos sentidos renovados.
A nova estrutura, aquela que esforçadamente tem nascido em mim, desabrocha para uma etapa de concretizações que tanto esperei, e que agora saboreio pouco a pouco. Como um sashimi deliciosamente oriental, intercalado com amigos calorosos e saké, como não poderia deixar de ser.

maio 01, 2006

mangas.up

Como a mudança incomoda! É o tractor que estilhaça os caminhos conhecidos, já desfeitos pela chuva e vento, mas nos quais, agrestemente, continuamos a buscar tempero e contentamento. É a roupa da cama que temos que mudar, porque já transpiramos muita emoção.
E se as decisões mostram-se urgentes e urticantes, ora arregaça-se as mangas, e bora lá confrontar o mundo, interior ou exterior. Aquela réstia de medo, entalada nas inseguranças desconhecidas, agora flutua no mar brilhante. O sol anima-me, de cada vez que sinto que fui real, autêntica, e não tive receio de me mostrar vulnerável, expressar o meu querer dar mais, esperando a oportunidade para isso. Insucesso temporário, porque nada ficou remoído.
E tudo é teu de novo, sempre que te deste realmente.
Esquemas mentais, livres, suspensos em tanta sensibilidade.

abril 24, 2006

conta.peso.e.medida

Quanto queres de mim. Sem que eu deixe de ser o todo, confuso e por vezes louco, que sou. Imperativo que te deixa ainda mais descontente.
Muito, não. Porque atrapalha, tal como o excesso de carga deita toda a lógica da rentabilização de transporte por terra. Ou me querem racional, ou emocional, agora nunca em alternância.
Pouco, parece que nem ali estou, que nem sinto a barriga doer, nem há fome, nem fartura. Só descuido do que importa, pelo menos para mim, é o recheio.
Rechear-te por dentro, de pequenas histórias minhas, detalhes sinceros, que para muitos soam a frios superficiais e esquecer-me que te posso perder.
Parece meio. Virtude não é certamente.

abril 19, 2006


state.of.mind.of.mine Posted by Picasa

decision.calling

Ausência em que empato a decisão. Ou melhor as decisões que me pedem, todos os amanheceres de novo o incómodo da definição recomeça. E eu, quase nunca adaptada à constância, à definição estanque dos gostos, sentidos e hábitos, ofuscando qualquer previsibilidade do meu quotidiano. Agora parece que desconheço a viragem, o pisca que avaria, porque de intermitente a tudo e nada se destina.
Como destronar a minha polivalência querida. Se o percurso foi exactamente para a valência múltipla. Fazer muita coisa, porque faz sentido. Sentidos sempre vários. Desconexos para as expectativas dos outros, dos acertados, e talvez incomodados com tamanha arrogância e prepotência, ambas as características muito subjectivas de salientar!
Meu capricho, que agora é impedido com ofertas desmedidas de probabilidade, ou casinos.
Em querer ser muito, menos potencial, mais realidade competente que se aprende, com o esforço razoável, e com os suspiros morenos do descanso bem merecido, quando acontece, quando revigora.
Mas e se o meu descanso seja na mesma aprendizagem...

março 27, 2006

wait.creation

Espero. E não consigo deixar de esperar. Enredo de expectativas e de muito engano meu. Ilusão, ingénua, de quem acredita que o que se sente não se finge, nem se reproduz nunca mais. Pelo menos, nunca da mesma forma, no mesmo sentido, nem no idêntico espaço-tempo.
Invento actividade que preenche lacunas, envolvo-me noutros sonhos e realizações. E ainda que pareça esquecer as partes incómodas, continuo a buscar sentido a este desencontro tão pouco concebível.

março 21, 2006

l'embrasse.doux

E se confiam em nós, com uma persistência fervorosa numa crença desmedida em potencial nosso. A grande questão de não ser valorizada num instante exclama quanta sorte, quanta dávida! Criativamente o nosso cérebro inunda-se de outros medos, o da não correspondência com expectativas tão raras, sobretudo quando não existem laços de sangue usurpadores da liberdade. A elevação do nosso valor, tão raramente concedida, quando vem é ruborizante. Talvez porque não esperada, por mais que desejada tenha sido, em noites cinzentas e pardas. O tédio aniquilado assim, com o tamanho desafio.
Novo começo, metamorfose de princípios e de prioridades. Grande investimento, uma mais valia com suporte. Intuição estimulada, sai da gaveta. E acreditam em mim. Eu acredito no desafio. E acredito em mim.

março 14, 2006

sofrer.será.a.última.obra

O que chá me dá, é uma espiritualidade líquida que me obriga à profusão do nada mental.
Que tanta falta me faz. Organizando os horários, chega-me a mensagem real que me disperso em se's emocionais e nos "poderia ter sido", e que daí resulta, no meu caso particular a minha incapacidade de decorar tarefas, números de telefone ou nomes associados a faces bem dispostas.
Só numa paragem de fim-de-semana é que pareço respirar da confusão em que me afundo, e o espelho disso é o meu quarto que encurta o volume diariamente. Tanta informação. Tanta história. Tão pouco tempo para dar sentido ao desarrumado. Catadupla de desafios actuais, e post-it's entre o volume de livros, entrecortadas se encontram as minhas cenas. A mais valia é ter o sentido decorado, parece que sei sempre a direcção a tomar. Fracasso. Levanto. Inspiro. E optimizo-me. Sem café.

fevereiro 26, 2006


climbing.fortune.seeker Posted by Picasa

climbing.fortune

Daí que superei antigos limites. Vejamos os psicológicos, a esfera dos receios sem utilidade e com fundamento expirado. Porque o futuro não se altera por recearmos o que quer que seja. Nem construo hoje o que desejo porque assim me limito e estranho. Seja interferências, desajustes de expectativas, ou "coisa ruim" pura e dura, abandono as crenças de perda e rejeição, porque com cada desafortunamento aprendo-me novamente.
Que o vento danse, fisicamente, entre cada dialéctica. Que na subida, a minha respiração se controle e descontrole como uma música de optimismo, e esperança. O topo que se encurta à medida que me sinto mais eu, mais conhecedora dos mecanismos em que encontro a paz, a empatia e o progresso. E talvez, um dia, não seja preciso mais segurança. Porque a vida leva-me feliz.


fevereiro 17, 2006

sem.querer

Sou Culpada
De Te Roubar A Alma
De Querer Toma-La Pra Mim

Sou Culpada
De Perder A Calma
E Não Deixá-Lo Ir Embora Sem Se Despir

Sou Culpada
De Te Querer Sem Fim,
Sim, Sim

Pode Me Prender
Pode Me Enlouquecer
Pode Me Culpar Por Tudo
Eu Me Entrego

Só Não Me Culpe
Pelo Amor Que Sente
Isso Foi Realmente Sem Querer

Daniela Mercury

fevereiro 07, 2006

janeiro 31, 2006

this.fire.in.my.head

Donde veio este péssimo hábito, esta terrível tendência de pensar tudo. Aprendizagem invertida, já em nada adaptada ao meio, em plena extinção me encontro. Quero fazer reset ao disco, quero voltar a organizar a minha rede neuronal. Sinto-me esgotada. Errada. Quero a torre da racionalização esburacada, provedor de lugares particulares em que posso descansar de uma mortificação pensante.
Quero ter tal como o ambiente de trabalho, o descanso imagético, percepcionando o teu sorriso que me acalma.
Que atrofio este, em que me confundo com um nó mental inseguro, perdida em rotações inúteis, e em comparações ridículas. Nova história, sem remendos de outras páginas.

janeiro 22, 2006

bagunça.boa

Fase bagunçada. De novo. Desta vez, da boa bagunça. De alma, coração, de cumprimento. Não pergunto a direcção de todos os fluxos, nem me apoquento com o começo da minha dependência do teu ombro, da tua mão na minha. Desta confiança que floresce, sem entraves cognitivos, porque me fartei de mim assim. Cuidadosa. Sossegada. Passiva. Desiludida.
Sinto-me sempre a partir na direcção do milagre quente que conseguimos, em pulgas até ligar o motor preparado para o micro-clima que te rodeia sempre que chego. E partir, custa cada vez mais. Eu que não me agarro ao que é dos outros, e quase nunca ao que me pertence. Sinto a cola, a intimidade nunca estanque.
E arrisco. Assim, vivo.

janeiro 10, 2006

close.impression

Não sei porque acontecem estes precalços silenciosos, ou galhofosos.
Não sei porque te admiro pelo simples facto de teres sorrido, nem porque a tua casa não pareceu só tua.
A manta, não sei porque a pedi, nem porque nos aconchegou enquanto ouviámos os outros em nós.
Muito menos sei, porque não me incomodou quando me tocavas as mãos.
Nem porque nos ríamos nós.

janeiro 03, 2006

janeiro 02, 2006

tão.pouquinho.exigente

Para 2006. Primeiro, antes de tudo o mais, não tenho lista, nem objectivos a satisfazer rabiscados no caderninho de argolas com borboletas. Não tenho menu para as relações, para as necessidades de concertações e gargalhada social, nem para copos e bebes, nem aumentos, promoções, ou solidificações profissionais previstas.
Não tenho tempo, mas também não fiz previsões para planear o dia, a semana, o tal mês. Não preciso de deixar de consumir o que quer que seja, nem de comer os incomestíveis (o yoga resolve todas as questões estéticas e mantém-me eternamente fit... Danke). Apesar dos defeitos, não tenho que realizar regressões ou análise para uma reestruturação da minha cara personalidade complexa e imprevisível. Não instalei limites para a minha auto-estima, independência e persistência, mas também não tenho para a paciência, para a tolerância e calma. Não tenho evasões milimetricamente planeadas, nem que sejam para timbuktu, não tenho cartões de memória guardados para as tais fotos inesquecíveis que adormecem a vontade de aventura, mesmo que seja só até à baixa.
Não pretendo ser o máximo, nem ser admirada, nem especialmente nada...
Não espero encontrar a minha alma gémea porque ainda não sei o que fazer com ela, i.e., ainda não descobri o que fazer com a minha.
Peço apenas isto, que seja eu própria em 2006, que faça mais do que já faço, sobretudo o que me realiza e dá prazer, sem vitimizações, nem culpa.