outubro 08, 2006


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setembro 07, 2006

lisboa.aquele.lugar

Há aquele lugar que não tem memórias, mas é aquele lugar em Lisboa, onde me sinto diferente. Onde não há anseios, nem urgência de esquecer toques e sonhos. E aquele lugar é só meu, de noite e dia, e ainda que por vezes partilhado, por ser incompreendido para os outros, ele torna-se o meu lugar, onde o tempo e o espaço se misturam. E lembro-me de mim, e futuro-me. E Lisboa exponencia-se nesse lugar, onde há cheiros, e cores, e ruídos e silêncios, e história e ficção. Morte e vida.
Não é lugar onde se viva, nem onde se ame, nem onde se coma ou se dance.
É só aquele lugar que quase todos atropelam, e não se paga, não dá estatuto, não é pretendido por filas aguardantes de estímulo.
Magia de uma Lisboa discreta, onde se sente tudo, mas não amarga. Onde nos damos conta do milagre de haver amanhã. E da supremacia de nos comunicar-mos com tudo, e de Lisboa se expôr linda.
É delicioso regressar. Aquele lugar. Que só existe aqui. Lisboa.

agosto 13, 2006

me.gusta.helsinquia

Estou longe. Fora da mesma perspectiva, a contemplar a calma que me falta por vezes. Helsinquia invade-me a pouco e pouco, com a sua nordicidade e os seus graus de alcool em exagero, quando a noite chega.
Recomeco um novo mapa mental, em que inscrevo novos percursos que a cada dia passam a fazer parte da minha historia. Por ali passei, leve. E é assim que me sinto, como se reavaliasse o esforco, a falta de tudo nesse tempo que me fugiu, e quase me atropelou as vontades.
Insucessos que se mastigam como uma vodka amarga, escura e cara, muito cara.
Novos rostos, novos percursos de vida que passo a conhecer entre sorrisos, entre culturas que se sentem. E nao me concebem portuguesa, nao encaixo no estereotipo. Tambem nunca me confortei em nenhum, nunca quis ser o que se espera. E continuo a nao querer.

julho 31, 2006


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julho 25, 2006

becoming.feminine.

No outro dia, sentei-me no paredão. Onde tantas vezes com tranças sonhei ser mulher, crescimento que só queria que acontecesse, a todo o custo, a todo o gás.
Muita coisa não esperava, mas olhando para trás tanta coisa que conheci, tantas malas exploratórias que fiz, pessoas que olhei por dentro, aviões que me levantaram. Buscas incessantes de estímulos, de crescimento, de relativizações.
Ilusões, desilusões, emoções, sentimentos. Amadurecimento.
E concluí que me tornei na mulher que sonhei naquela altura, com alguns remendos perspectivados, mas materializei os atributos que ambicionei.

dazzling.cupid.remake

Agora sei que nada é por acaso.
Acaso serei eu ilusionista de sentidos escondidos em lençóis que não se usaram, nem transpiraram emoções sublimadas. Lembro-me do que senti, tal como um balão que se esvazia de sonhos, expectativas comestíveis, chiando de tristeza e frustração.
E vejo-te agora a declamar-me passados sentidos, e rebuscando ordens implícitas a um reencontro, que deixou de fazer sentido, pelo menos o explosivo que teria sido.
Depois do verão, tecíamo-nos numa história só nossa. Enroscávamo-nos em beijos toscos e perdidos.
Mas adiou-se a história, e a aventura dos sentidos, de te ter em mim, de te espreitar o centro do peito. Rebuscar o sentido da tua alma se ter compatibilizado com a minha, num momento único. Em que pela primeira vez a intimidade me fez fugir.

julho 14, 2006

he.believes.in.beauty

Não queria ficar sem espreitar-te, sem iludir-me com um mito antigo.

Que temos, que alimentamos.

Inacabados estamos, mal aproveitadíssimos!

julho 05, 2006

don't-blame.something.else

Coerência desmedida, nesta fase. Numa recta final de esforço, e a alegria luminosa de sorrisos quentes. Agendado o prazer, a música dos sentidos, comprometimento comigo permanece. Com a minha felicidade.
E até acidentes não incomodam, porque as ferramentas, conhecimento, amor e optimismo, abundam agora. Continuo a querer muito. Quererei sempre, parece-me. Esperando, com mãos nos bolsos e pastilha elástica mascada, que a ansiedade parasita deste querer-profundo-tudo diminua, confortando-me com pequenas vitórias.
Como energia que se espalha majestosamente, de dentro vem este bem-estar e bem-querer tudo e todos. E nada antigo já magoa. Purifico-me de novas compreensões, e numa aceitação de desventuras proveitosas que a vida implica.

junho 16, 2006

put.your.records.on

Acorda-se com optimismo, de uma grandeza de espírito que vislumbra uma vida com novas prioridades. Quero sentir-me a mim, numa fase egoísta, em que não dou de mim a ninguém que não seja já parte do meu círculo, de empatia e de confiança.
Os livros estão marcados, a música bem escolhida. O carro pronto.
E quando o trabalho nos qualifica ainda mais, e a finlândia se aproxima com todos os seus desafios. O vôo marcado, e mais um agosto que me enriquecerá.
Desmedidamente rica. Egoísmo que me facilita por agora todo o crescimento.
E a minha casa que se aproxima.

junho 12, 2006

dive.into.me.feelings

Sustem a respiração se a emoção te afundar, mas quando te aperceberes que algo está escuro, lá dentro, um ferimento ligeiro mas rotundo, não fujas disso. Fica lá, a apalpar as coisas que te cheiram mal, que te reenviam uma imagem de pouco merecimento de atenção e cuidado da parte do outro. Quando te reduzem, engraça com tamanha estupidez. Se o teu valor é teu, porque adquirido e desenvolvido. Medos que se ultrapassaram, afirmação de toda a pessoa, mulher que és. Pausa, recontrução da tua pureza, da tua lealdade para com o amor. Mesmo que breve. Total, a entrega.
Como se nada tivesse acontecido para o ofensor, qualquer estridente queixume aprofundaria o corte. E eu não quero sangrar mais, nem suspirar por algo que não deixaram acontecer. Sem coragem de correr riscos, de estatelar o exposto na mesa onde se preparam refeições.
Medo de vasculharem inseguranças, embalagens ocas de metroman, e poucas fortalezas de carácter.
Determinação. Garra. Força de intelecto. E muito humor.
Procura-se, sem pressas, num Homem.

maio 28, 2006


sometimes.you.win.waiting Posted by Picasa

hot.enchantement

Queria tanto. As minhas mãos atropelam-se quando ainda quero. Não sei bem o quê. Quem. Perda ou invenção temporária de que a intimidade religiosa ficou num lugar qualquer bem terno, bem quente. E o calor é antítese de outro contexto, em que os corpos ainda se uniam, como chamas fluorescentes, de um laranja partilhado. Sem complicações, de liberdades estúpidas e vaidosas.
Este calor pode humedecer barrigas, pode até adormecer energias, promovendo a preguiça de sol e mar, de sonhos novos de outros olhares, profundos e doces. Mas não faz esquecer, nem permite evitar o que se viveu, rotulado ou não, rebuscado numa história que se quer parva. Insistência tola, paixões que se abandonam precisamente por serem, de facto, paixões.

maio 23, 2006

not.sexy.but.so.myself

Sexy attitude ausente, latinicidade que não descobriram em mim no último espaço intercultural. Espontaneidade em que envolvo os dois sexos numa comunicação idêntica, numa pornografia de almas, mas não de enganos espumosos e repentinos. De facto, não tenho trejeitos de cabelo, olhares medidos, nem roupas que exarcebem curvas, que no meu caso particular e íntimo, se mostram à luz do candeeiro, que se mistura com uma lua cheia, sem artifícios, e sem complexos. Não combino todas as cores e artefactos, com medo que me descubram defeitos. Não chamo a tua atenção porque sou a mais bela, porque não sou. Mas sou tão eu. Não é lindo ser-se próprio?!
A moda passa por mim, e eu só deixo entrar aquilo com que me identifico. Uma simplicidade arrogante, de quem quer olhar para dentro, e que assusta. Mas derreto as máscaras, todos os bloqueios sísmicos e tão perturbadores.
Sorriso meu, que desata os nós, mas não tem gloss, nem botox. Assumo a minha pouca sensualidade consensual, porque se olharem bem... ela já cá está, e expressa-se em cada um de forma pessoal e instransmissível.


party.time.in.velden Posted by Picasa

working.time Posted by Picasa

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maio 19, 2006

calor.sentido

E agora, que o tempo quente escorre pela tua face. Que os beijos que se esperam já se avizinham. Quando sabes que tudo faz sentido, e que o teu percurso foi detalhadamente demarcado por um sábio, ou sábia tontura. Em que te sentes abraçada pela harmonia das pessoas de quem gostas, mesmo sem grande aprofundamento de razões, esquemas ou interesses.
A noite que te convida a estar entre conversas musicais, bebidas doces, corpos expressivos, como a vida que se atropela, quando a tua energia estoira. Aculturas-te de tudo, nunca te limitando a uma ou outra actividade. Quero manter esta abertura, esta vondade de experimentar todas as dimensões sem me perder, ou viciar em nenhuma em particular.
Tudo compõe. Tudo excita e estimula uma mente curiosa e sequiosa de tudo, de ti, de mim. Da experiência de ser. De estar com.
Por favor, faz o favor de esqueceres o ter, parecer, o dever ser ou o poder.

wörther.see.austria Posted by Picasa

maio 17, 2006

saké&back

Back. Austria devolveu-me o optimismo. Quanto à calma, do lago e da montanha, é sempre mais difícil se verificar comigo o mesmo contágio. Mas o optimismo, está-me no sangue. Assim como a aventura, o internacionalismo da minha cidadania e a participação activa no delineamento do meu percurso.
Acho que o não formalismo das aprendizagens que fiz, a experiência vivencial daquilo que os livros me contavam ao ouvido, alargaram a minha mente com novas perspectivas, e sonhos frescos. Como a brisa primaveril que já está a fugir, dando lugar ao calor dos sentidos renovados.
A nova estrutura, aquela que esforçadamente tem nascido em mim, desabrocha para uma etapa de concretizações que tanto esperei, e que agora saboreio pouco a pouco. Como um sashimi deliciosamente oriental, intercalado com amigos calorosos e saké, como não poderia deixar de ser.

maio 01, 2006

mangas.up

Como a mudança incomoda! É o tractor que estilhaça os caminhos conhecidos, já desfeitos pela chuva e vento, mas nos quais, agrestemente, continuamos a buscar tempero e contentamento. É a roupa da cama que temos que mudar, porque já transpiramos muita emoção.
E se as decisões mostram-se urgentes e urticantes, ora arregaça-se as mangas, e bora lá confrontar o mundo, interior ou exterior. Aquela réstia de medo, entalada nas inseguranças desconhecidas, agora flutua no mar brilhante. O sol anima-me, de cada vez que sinto que fui real, autêntica, e não tive receio de me mostrar vulnerável, expressar o meu querer dar mais, esperando a oportunidade para isso. Insucesso temporário, porque nada ficou remoído.
E tudo é teu de novo, sempre que te deste realmente.
Esquemas mentais, livres, suspensos em tanta sensibilidade.